6 de outubro de 2019

Silêncio é uma bênção


Eu tenho me rodeado de pessoas. Essa talvez seja a fase que mais tenho amigos e que tenho passado menos tempo em casa.
Em toda minha vida fui bem introvertida, isso significa que embora goste das pessoas, eu sinto necessidade de passar um tempo sozinha comigo mesma e isso recarrega as minhas energias.
É a fase que passo menos tempo em casa, mas também estou passando pouco tempo comigo e isso é ruim. Tenho amigos que sentem a minha falta quando eu sumo, e agora tenho um namorado, entretanto estou sentindo falta de mim mesma e de passar horas em silêncio apenas lendo ou desenhando.
Eu adoro passar meu tempo com as pessoas que amo e que também me amam, contudo, acho que todas essas vozes estão me enlouquecendo.

Tomei conhecimento de um retiro espiritual de dez dias, baseado em uma meditação budista (Vipassana), são dez dias de silêncio e de meditação na natureza. Muito me interessa uma experiência como essa, o silêncio e o autoconhecimento são coisas bastante valiosas para mim, e acredito que muito ruído e muito barulho acabam abafando os pensamentos.

Ter que falar o tempo todo, ouvir o tempo todo, assistir algo o tempo todo, tudo isso me cansa mentalmente. Lembro que na adolescência, eu tinha sonhos de virar uma eremita! Morar distante das cidades e das pessoas, conviver com os animais e comigo mesma. Isso parece loucura para algumas pessoas, mas para mim é a definição de paz.

Ilustração Yoni Alter

4 de outubro de 2019

Não dormir sem óculos


Constantemente tenho sonhos em que minha visão está embaçada, como se eu estivesse sem meus óculos e conseguisse enxergar apenas borrões. Nunca sei se são sonhos bons ou se são pesadelos, pois não identifico nem os vilões que me perseguem.
Geralmente são sonhos em que meu corpo parece estar em letargia, meus movimentos são lentos e parece que minhas capacidades ficam limitadas. Já experimentei um dia real parecido com esse tipo de sonho, eu voltava bêbada para casa de BRT e sem óculos. Não sei como consegui chegar em casa, mas me encontrei exatamente como quando acordo depois de sonhos assim: deitada na cama.
É sempre um alívio acordar e colocar meus óculos, enxergar tudo em volta com a ajuda deles. 


Pintura de Domenico Ghirlandaio

26 de setembro de 2019

Sentimentalismo não é fraqueza


Deixar a vulnerabilidade à mostra se torna algo muito difícil para mim. Fui treinada à força pela vida e por experiências da infância a enxergar as demonstrações de sentimentos como ações de fraqueza. Sentimentalismo era o oposto de força. Fui ensinada então a não expressar as emoções em totalidade, um rosto sério era o adequado.
Podar meus sentimentos desde muito nova foi uma das razões de ter tido um crescimento melancólico, onde meus únicos escapes eram a literatura e a arte. Hoje em dia, quem me conhece somente através dos desenhos e dos meus escritos, é comum achar que sou uma pessoa bastante sentimental e aberta para falar sobre sentimentos, entretanto, quem me conhece no mundo real e palpável, não enxerga facilmente meu sentimentalismo e minhas expressões, justamente por eu não saber demonstrar com atitudes o que sinto. 
Tenho dificuldades em abrir a boca e dizer o que meu coração grita. Desabafar se torna uma ação dificílima, e minha garganta fica presa em um nó. É como se eu segurasse uma represa.
Por muito tempo, eu pensei que mostrar minha vulnerabilidade seria mostrar minha fraqueza. As duas palavras eram sinônimas para mim. No dicionário, vulnerável também é ser frágil, instável e inseguro.

Vulnerabilidade se tornou outra janela em minha visão. Não é mais uma janela trancada que fica tampada por um armário. É uma janela que estou abrindo aos poucos, limpando a vidraça, limpando as cortinas, e deixando entrar um pouco de sol e vento no quarto. Vulnerabilidade está se tornando a possibilidade de mostrar meus sentimentos e emoções para as pessoas, permitindo que me conheçam de verdade, e o mais importante, permitindo à mim mesma conhecer meu eu interior, saber como direcionar meu coração em vez de freá-lo. 
Escrevo então em um novo dicionário pessoal: vulnerabilidade é a capacidade de deixar o outro lhe conhecer, e principalmente conhecer a si mesmo.

Pintura: Water Lilies, Hans Zatzka, detalhe.

1 de maio de 2019

HQ: Aquela sensação de não pertencer à lugar nenhum



História baseada em um texto que escrevi em 2016 aqui no blog, sobre não conseguir se encaixar e sempre se sentir à parte das situações e das interações sociais.

 

30 de abril de 2019

100 dias de tirinhas e eu sou um alien


Comecei dia 7 de abril a minha série de 100 dias de tirinhas! Por três meses e meio, farei tirinhas autobiográficas usando minha personagem verde, em situações do cotidiano.

A pele dela é verde, pois ela é um alien. Simbolizando exatamente como eu me sinto no meio das pessoas. Estou só à espera de que minha nave chegue e me fale que já cumpri o tempo determinado na Terra huahua.
 

 

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