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22 de outubro de 2018

Eu sou quem sou por causa das minhas memórias


Aos 11 anos ganhei uma agenda com capa de pitbull, eu não queria nada florido e nada fofinho. Eu colava fotos, imagens de revistas, escrevia poemas, desabafos, segredos, letras de músicas, trechos de poemas dos autores ultrarromânticos, tinha até a imagem de um rato dissecado que encontrei em uma revista de ciências. Andava pra lá e pra cá com a minha agendinha.
Um ano depois botei fogo. A agenda já estava gorda de tanta coisa colada e escrita. E taquei fogo porque não queria ver aquela parte da minha vida. Foi uma péssima escolha, queria ter guardado. Tinha desabafos sobre meu primeiro amor, minha primeira decepção amorosa, poemas da minha primeira fase da depressão.

Depois eu não tive mais agenda nenhuma. Fiz um blog (em outra hospedagem), e passei a documentar meus dias no mundo virtual. Sempre tento manter as datas, as fotos. Tenho pastas com fotografias de anos, histórias que escrevi quando ainda era adolescente, poemas velhos. 

Hoje guardo minhas recordações mais do que antes. Documento tudo pelo blog e guardo tudo na nuvem. Tenho uma nova agenda que comecei no início desse ano, ela é uma espécie de diário-planner-bullet journal-junk journal-agenda, onde escrevo sobre meus dias, meus hábitos, o que fiz, com quem estive, lugares que fui, tudo. E ao mesmo tempo colo fotos e imagens que me dão inspiração. Recorto principalmente folders das exposições que fui, ingressos do cinema.

Eu sou quem sou por causa das minhas memórias, sou muito esquecida, então procuro guardar tudo. Desde pequena gosto de pegar a caixa de fotografias da família e ficar recordando e rindo. 
Gosto sobretudo das lembranças do Facebook, que me relembram de coisas que aconteceram ano passado, cinco anos atrás. E principalmente das retrospectivas nos finais dos anos.

Tenho medo de algum dia perder a memória. Eu sou feita de lembranças. Saramago uma vez escreveu: "Somos a memória que temos (...) Sem memória não existimos".

21 de agosto de 2018

Cante para mim novamente


É engraçado como coisas pequenas acabam tendo um significado enorme para mim. 
Quando você quis me ligar para me mostrar a música que conseguiu aprender no violão, eu fingi que não estava me derretendo ouvindo você cantar.
Pedi que você tocasse mais músicas apenas para não desligar a chamada de voz. Naquela época, eu tinha acabado de te conhecer, e pensei que seria um crush temporário. Acabei me enganando.
Escrevi textos pensando em ti, fiz desenhos e histórias em quadrinhos, mas não tive coragem de te mandar nenhuma dessas coisas.

Lembro quando sem querer te fiz quebrar a corda do violão, bem na hora que você ia tocar uma música encostado na beira da cama.
Você comprou uma corda nova, mas as chamadas de voz não voltaram. Você levou o violão para as festas, mas a música não entrava em mim da mesma maneira.
Sinto falta da sua voz cantando para mim, e sinto falta de quando ainda dava tempo de não me apaixonar por você.

Um beijo, tomara que você nunca leia isso. Sei que não vai.


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Chegou agosto e o BEDA (Blog Every Day August) vem junto! Significa que todos os dias desse mês o blog será atualizado!

8 de agosto de 2018

Escrevo sobre meus amores fracassados, e palavras que nunca foram ditas


Tudo que escrevo é sobre meus amores fracassados, e palavras que nunca foram ditas. Meus desenhos e meus textos geralmente são sobre alguém que já passou pela minha vida, ou que ainda está nela e tem me afetado de alguma maneira.
Quando o tempo vai passando e me deparo com um desenho ou poema antigo, lembro pra quem fiz e o que estava sentindo por ela na época. Acabo eternizando um pouco das pessoas na minha arte.

Coloco referências dela que talvez só ela entenda, como uma roupa específica, uma colcha, uma máscara, um momento que passamos juntos. Eu fico com vergonha de publicar depois na internet, mas finjo que não é sobre ela, caso seja um assunto que me constrange.

Gosto de saber que tenho um lugar para guardar meus sentimentos pelas pessoas. Por dentro, eu me sinto intensa, então prefiro canalizar tudo para o desenho e para a escrita, assim não faço coisas impulsivas como me declarar pra alguém hahuhua.

Eu tento misturar sentimentos passados com sentimentos atuais, assim meus conhecidos não vão saber exatamente de quem estou falando. E para não me expor tanto, vou mudando a aparência dos personagens e até o gênero, assim fica mais fácil para me expressar e me esconder ao mesmo tempo.

Talvez isso tudo não passe de medo, prefiro deixar as coisas subentendidas em vez de falar aos quatro ventos. Mas todos os dias aprendo algo sobre mim, e me permito me abrir mais um pouco para as pessoas. Quem sabe um dia não precise desenhar e nem escrever para desafogar, não é mesmo?


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31 de maio de 2018

Eu tenho um coração desenhado em minha pele.


Todas as manhãs vejo meu reflexo no espelho do banheiro e encaro um dos desenhos que tatuei em minha pele. Esse em especial é um coração de cinco centímetros, abaixo do meu seio esquerdo, de modo que quando toco nele, sinto meu coração de verdade batendo.
É um coração sério, o traço me lembra alguns detalhes das cartas do tarot de Marselha. Ele chora e possui duas lágrimas que estão gravadas para sempre em minha pele. O coração desenhado vai chorar para sempre em mim.

Eu gosto demasiadamente dele. Funciona como se fosse um escudo, pois é o único coração que as pessoas verão em mim. Eu construí barreiras suficientes para não deixar ninguém entrar em meu coração verdadeiro, e mesmo que consigam entrar, não saberão disso, vão sempre encarar o desenho que encara de modo sério e sem revelar nada.

Ele funciona como uma marca à ferro quente, lembrando-me do acordo que fiz à mim mesma: não entregar meu coração em uma bandeja.

Pintura: detalhe, Saint Augustine, por Philippe de Champaigne, 1650.

27 de fevereiro de 2018

Desapegar é preciso



Antes do início do ano, eu resolvi arrumar minha estante de livros e doar mais da metade deles. Antigamente, eu comprava mil livros e queria encher a minha casa deles, porém a vida foi mudando e percebi que acumular coisas que talvez nem tenham tanto significado para mim, é algo que me desgasta emocionalmente. 
Olhei em volta e me perguntei por quê tenho tantas coisas que nem são tão importantes assim, que estão ali encostadas apenas pegando poeira? Resolvi jogar fora ou doar: coisas que estavam quebradas e que eu pretendia consertar (esse dia nunca chegaria), presentes de pessoas que não fazem mais parte da minha vida e que me machucaram, papéis de anotações que nem me lembro mais sobre o que são, materiais que nunca usarei, livros que nunca lerei, livros que nem gostei tanto assim de ler, roupas que não cabem mais em mim, roupas que não fazem mais parte do meu estilo, e por aí vai.

Mas e quanto à pessoas? Elas vem e saem de nossas vidas, algumas ficam por bastante tempo, e outras por poucos momentos. Eu tenho dificuldade para me desapegar de gente. Tento segurá-las no meu círculo social, até mesmo quando demonstram que o tempo delas na minha vida já passou. Como desapegar de uma amizade ou de uma paixão platônica, quando a minha vontade é de ver e passar horas com a pessoa? 
Eu fico triste quando sou a única a insistir em uma relação, então desde o final do ano passado, tenho tentado me desapegar de pessoas que não parecem dar tanta importância à minha presença. Eu insisto algumas vezes, mas logo saio de cena. 
Eu guardo pessoas como costumava guardar meus livros. Preciso deixar à vista somente aqueles que me fazem bem e que prezam pela minha amizade. É difícil, mas vou aprender a desapegar de objetos e de pessoas.

9 de novembro de 2017

Não pare de escrever


"Não pare de escrever", é o que sempre digo à mim mesma, e no entanto é exatamente o contrário o que faço, fico sem escrever por semanas, meses, até me sentir sufocando dentro de meu corpo, precisando respirar através das folhas de caderno. Maltratando as linhas retas com minha caneta preta ou meu lápis, sem saber no que vai dar, misturando lágrimas com a frustração de não conseguir escrever rápido o bastante, querendo acompanhar o fluxo dos pensamentos com meu punho não tão veloz.
Escrever é como uma conversa comigo mesma, é uma forma de decifrar o que meu coração está sentindo, e de desfazer os nós que se enroscam em minha mente.

Também sempre recorri às cartas para explicar meus sentimentos à outras pessoas. Eu tenho um defeito de começar a me emocionar e a ficar com os olhos cheios d'água quando me exalto em uma discussão, ou quando preciso dizer o que estou sentindo. Desde cedo, abominei chorar na frente de outros, então há muito tempo recorri à forma escrita para explicar o que há em meu coração. Minha mãe já recebeu inúmeras cartas minhas desde criança, e antigos amores também já receberam muitos papéis escritos e longos e-mails.
Quando paro de escrever por completo durante um tempo, meus sentimentos ficam confusos, como se eu tivesse dificuldade para  respirar. E no entanto, mesmo tendo a necessidade de me derramar no papel, eu deixo de lado essa prática tão importante. Há vezes em que estou tão dentro de mim mesma, que escrever se torna dificílimo e torturante. Faltam-me palavras e as vírgulas se tornam grandes pedras em meu caminho.

Ainda que tentar transpor sentimentos em palavras seja uma tarefa complicada, sempre aconselho: "NÃO PARE DE ESCREVER", aos outros e à mim mesma. Escreva sobre qualquer coisa, escreva sobre banalidades, sobre coisas importantes, sentimentos, sobre o seu dia, mesmo que a rotina seja maçante, escreva sobre um parente, sobre aquele sonho que teve na noite passada, escreva sobre aqueles dez minutos de caminhada que foi recompensada com um sorvete. Apenas escreva, não importa o assunto. Não deixe de escrever.

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Na foto, o livro de zines do ilustrador e skatista, Mark Gonzales.

28 de outubro de 2017

A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.


Já dizia Fernando Pessoa: "A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida", ele é um dos meus poetas favoritos desde muito nova, só quem me conhece há muito tempo sabe da influência da poesia em minha vida.
Sempre fiquei com a cabeça enterrada em livros, completamente distante de qualquer interação com pessoas do mundo real. Já gostei mais de personagens fictícios do que de seres humanos de verdade.
Devorava um livro atrás do outro, e acabei idealizando a maneira com que todos os meus relacionamentos deveriam ser, acumulando assim grandes frustrações, porque não entendia como as pessoas não poderiam ser iguais aos livros. 
Por muitos anos, eu vivi em mundos distantes, enxergando essa nossa realidade como se não pertencesse à ela. Eu pensava que estivesse segura no mundo dos livros. Eu estava me esquecendo de viver de verdade. Ignorava a vida da maneira mais agradável.

O primeiro impacto em minha redoma blindada foi quando mostrei um conto fictício, cerca de 9 anos atrás, à uma conhecida. Criei um dos meus primeiros blogs e postava contos de terror. Ela leu, disse algo que não me lembro, mas a frase que me recordo foi: "eu prefiro ler contos e livros biográficos", eu perguntei o motivo, e ela disse que gostava de ler sobre a vida real, coisas que de fato ocorreram. Até então eu não entendia como alguém poderia deixar as histórias fictícias de lado. O nome dela é Jéssica, eu tinha catorze anos, e ela era a primeira riot girl que conheci, organizava um grupo de zines online e reuniões feministas, que infelizmente nunca compareci.

Por que alguém gostaria de ler histórias biográficas, se há tanta imaginação na literatura? E ela respondeu entrelinhas, a vida pode ser muito boa e muito cruel, e há milhões de histórias lá fora, milhões de vidas interessantes com pensamentos reais e dores reais.

Claro que histórias biográficas não estão em nível superior das histórias fictícias, porém até aquele momento, eu lia apenas livros com personagens que nunca possuiram carne e ossos.
Então comecei aos poucos a ler algumas autobiografias, e a me identificar com muitos autores, com seus sentimentos, medos e frustrações. A vida também está fora dos livros e ela pode ser muito interessante.

O segundo impacto foi quando li Pergunte ao Pó, do escritor beatnik John Fante, sua semi-autobiografia narrada por seu alter ego Arturo Bandini. A Bruna de dezesseis anos, entediada com a vida, escrevendo e lendo dia e noite, andando à esmo pelo Rio de Janeiro, se identificou prontamente com os acontecimentos narrados no livro. Eu havia saído da minha redoma de histórias fictícias, e interessada nas pessoas reais. E fiquei terrivelmente triste quando soube que Fante morreu 9 anos antes de eu nascer. 


O terceiro e último impacto, até agora, foi ao ler Eu, Christiane F., Treze Anos, Drogada, Prostituída, de Kai Hermann, história real sobre uma menina alemã que aos 12 anos começa a beber, consumir drogas pesadas, e a se ver no fundo do poço, refletindo uma sociedade decadente e de relações familiares falidas. Em algumas passagens, ela me lembrou a Bruna de 12-13 anos, que teria ido para caminhos muito ruins, se não fossem vários acontecimentos que impediram. A biografia dela me emocionou muito e todos deveriam ler. E então me lembrei das palavras da Jéssica, e entendi mais uma vez como as histórias reais deixam o véu da realidade mais evidente.

Como manias antigas e enraizadas nunca de fato vão embora, após ler sobre a Christiane F., comecei a ler Drácula, de Bram Stoker, história mais fictícia impossível! A diferença é que hoje em dia já sei dividir o tempo entre histórias fictícias, histórias sobre pessoas que viveram, e a minha própria história, que precisa ser construída todos os dias, mesmo que a vontade de ignorá-la seja imensa.


- Algumas biografias e autobiografias que li e são minhas favoritas: Eu Sou Malala, de Malala Yousafzai; Só Garotos, de Patti Smith; A Arte de Pedir, de Amanda Palmer; Maus, de Art Spiegelman; Cat Diary, de Junji Ito; Persépolis, de Marjane Satrapi; Pergunte ao Pó, de John Fante.

- As reflexões desse post vieram depois de ler um texto da Marina Menezes ♥.

Conhece uma biografia ou autobiografia muito boa e quer me recomendar?

24 de setembro de 2017

Relacionamentos e pessoas são complicadas.


Eu levei muito tempo para entender que aquela pessoa perfeita não existe. Infelizmente, não existe alguém que vai tirar todas as nossas inseguranças, que vai suprir toda a nossa necessidade de afeto, alguém que sabe o que você está sentindo e compreende sem que seja necessário falar. Existe a pessoa que vai te ajudar a crescer mentalmente e emocionalmente, porém ela também é cheia de falhas, inseguranças e sentimentos. Será um crescimento mútuo, e às vezes bem complicado. Pessoas machucam o coração umas das outras, a comunicação é algo que pode ser mais difícil do que simples.
Meu pensamento sobre relacionamentos sempre foi errôneo, eu acreditava que a pessoa deveria se encaixar de uma forma que me confortasse. Eu não dava espaço para conhecê-la de verdade, não aceitava os erros, as manias. Acreditava que ela deveria ser perfeita, que deveria saber o motivo da minha irritação sem eu nem ao menos falar o motivo. Eu era tão imatura em relacionamentos, às vezes acho que ainda sou. Na verdade, com certeza ainda sou.
Tenho dificuldades em lidar com as pessoas, e muitas vezes penso em desistir delas. Essa minha vontade de abandonar à todos se deve à minha necessidade de ficar sozinha, eu realmente acredito que sou melhor sozinha. Não apenas isso, mas também há o medo de errar e ter que lidar com os sentimentos alheios. Desculpa te machucar, seria melhor se eu saísse da sua vida.

Eu sou cheia de erros e paranoias, e cada vez mais tenho consciência disso, do quão louca sou e como meus sentimentos afetam meu físico e mental. Aprendo algo novo sobre mim todos os dias, e é ridículo e infantil como eu esperava a pessoa perfeita aparecer. Ninguém é perfeito, todo mundo é uma massinha de inseguranças e medos tentando fazer o seu melhor.

30 de agosto de 2017

Tantas pessoas para conhecer, e tantos lugares lindos para ver!


Faz 1 ano desde que comecei a sair mais de casa, que me desafiei a conhecer pessoas novas e lugares novos. Não foi tão rico como eu queria, não fui à muitas aventuras que pretendi, mas definitivamente todas as experiências que tive mudaram minha visão, meu modo de me relacionar com as pessoas, e aprendi a sair mais do casulo - não saí completamente, mas isso é um processo -, também foi um ano em que passei a desenhar mais, e também me senti livre.
Agosto do ano passado foi quando minha vida teve uma mudança, e eu precisei me reinventar, redescobrir quem eu era, eu havia me perdido e precisava me encontrar. E sinto que estou encontrando uma Bruna que me agrada bastante, é a primeira vez que comecei a me sentir bem comigo mesma.
Tudo isso parece besteira, mas são grandes coisas para uma pessoa introspectiva e tímida como eu. Eu tinha apenas uma amiga de verdade, e nesse meio tempo ela provou não ser verdadeira. Enquanto isso, eu tinha um melhor amigo, mas não tínhamos nos conhecido fora da internet, até que nos encontramos em março! *Chris, se estiver lendo, te amooo*. Também foi nesse um ano que conheci o Brunno, um rapaz maravilhoso que aguenta as minhas doideiras e não me julga por nada. *Brunno, te amoooo*.
Arrumei outras novas amizades também importantes, e me sinto querida. Sou 100% eu perto delas? Ainda não, preciso me soltar mais, com o tempo consigo hauhua.

Pela primeira vez (muitas primeiras vezes nesse post huahua), sinto-me aberta à novas amizades, quero conhecer pessoas e lugares, quero ouvir músicas novas, experimentar novas bebidas, ver novos artistas, pisar em diferentes praias e sentir cheiros diferentes.
Ter o blog nessas fases da minha vida é muito necessário, assim eu me lembro de que minha vida não é apenas a bosta que imagino ser. Muitas coias legais acontecem, e muitas outras podem acontecer se eu permitir e for atrás. Obrigada a quem me acompanha e torce por mim!

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Participando do BEDA nos grupos Se organizar,todo mundo bloga | Café com Blog | United Blogs

4 de agosto de 2017

Amar quem está longe.


As nossas realidades são muito diferentes. Interior paulista e favela carioca não se encaixam.
Como duas pessoas tão distantes podem se entender tão bem? Eu penso que é uma brincadeira de mal gosto do Universo, ou um aviso de que nesta vida minha missão não tem nada a ver com o amor.
Uma parte de mim acredita que nossas vidas algum dia se tocarão e ficarão juntas. Porém, outra parte sabe que é apenas um sonho, e que essa esperança que tanto me acalenta o coração, é somente mais um degrau para a minha queda.
Eu me imagino de mãos dadas contigo, e como deve ser legal conhecer a sua mãe, e jogar vídeo games com os seus irmãos. Deve ser divertido brincar com os seus cinco cachorros de olhos de jabuticaba. Eu sei que essas coisas nunca vão acontecer., mas deixa eu fingir, e imaginar como deve ser quentinho o seu abraço.


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25 de julho de 2017

Eu só queria ser brisa.

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Eu preciso escrever para saber o que estou sentindo. Minha mente pensa mais rápido do que a minha mão consegue conduzir a caneta no papel.
Eu só queria que a minha mente parasse por alguns momentos, sinto que há uma avalanche dentro da minha cabeça. Estou sendo esmagada.
Eu quero gritar, quero sair correndo, quero ir embora do meu corpo por algumas semanas, e misturar a minha alma com a brisa do inverno, ir para onde o vento me levar, e mesclar em mim todos os cheiros do caminho. E só voltar quando a minha mente estiver em paz.

29 de maio de 2017

Namore alguém que ame a sua arte.


Muito tempo atrás, quando eu ainda estava no ensino fundamental, li um texto que falava sobre a cilada em ter um relacionamento com alguém que não aprecia o que você escreve. Ele era destinado aos escritores, e avisava como um namoro poderia ser ruim, caso a outra pessoa não gostasse da sua literatura e só te diminuísse, dizendo que é besteira e que não deveria continuar escrevendo. No início, discordei do texto, acreditei que não fazia sentido amar apenas alguém que gostasse do que eu escrevia e desenhava, até porque nenhum dos meus namorados e namoradas jamais gostou realmente dos meus desenhos e pinturas, e poucos apreciavam às vezes meus textos. Acreditei que o amor dos outros por mim poderia ser totalmente separado do amor pelas coisas que eu produzia. Eu estava errada.

Não importa se a sua arte é a pintura, o desenho, a literatura, a fotografia, a música, o teatro, é necessário se relacionar com quem aprecia o que você faz. Eu sei que ninguém é obrigado a gostar das coisas, mas é solitário trilhar um caminho em que a pessoa que você namora não te apoia de coração. É desanimador mostrar com empolgação algo que você produziu, e a pessoa apenas criticar, ou falar um "legal" sem emoção. 

Para mim, meus desenhos e textos falam sobre a minha alma, eu coloco meus segredos e sentimentos neles. Hoje eu penso: como alguém que diz me amar, pode não gostar do que produzo, quando o que produzo faz parte do meu eu mais profundo? Se ela não gosta do que faz parte da minha expressão, então do que ela gosta em mim? Talvez ela tenha apenas idealizado uma imagem de quem eu sou, e não tenha interesse em conhecer e gostar do meu verdadeiro eu.

Sendo alguém que morreria se parasse de desenhar e escrever, eu não aceitarei o amor de alguém que não ame o que faço. Eu quero o amor de quem enxerga meus sentimentos nos desenhos, alguém que ame os meus textos, mesmo quando estão confusos e sem conclusão. Quero o amor de quem me ache incrível e que me incentive a continuar, que me inspire e que queira me ver crescer. 
Se a pessoa não ama as minhas formas mais sinceras de expressão, então o que ela ama em mim? 

24 de maio de 2017

A síndrome de impostora entre os próprios amigos.


Será que eles me apenas me toleram, ou realmente gostam de mim? Eu faço diferença na roda de amigos ou eles me chamam apenas por pena? 
Se você já se fez essas perguntas, seja bem-vinda, você faz parte do Clube da Síndrome de Impostora no Circulo Social.
Esses dias descobri que muitas pessoas próximas também se sentem assim, pessoas que eu nem desconfiava que já tivessem feito as tais perguntas.
Sempre que vou pegar o ônibus para encontrar com meus amigos, fico pensando: "se eu desistir e ir para casa, talvez não notem a minha ausência", mas logo vejo que era besteira pensar desse jeito, pois me divirto bastante com eles. Apesar de que em alguns momentos eu possa me sentir impostora, sei que é coisa da minha cabeça, que é insegurança e que preciso aprender a superar isso.
Fico eliminando alternativas em minha cabeça: não sou extrovertida e nem a animada do role, não levo um monte de bebidas, não levo baseado, não levo muito dinheiro, eu só ofereço a minha presença e a minha amizade, e ainda assim sou chamada para os encontros, se não é por interesse, então realmente devem gostar de mim.

Eu nunca fui uma pessoa que tem muitos amigos, a maioria deles são de outros estados e que conheci apenas pela internet. No bairro onde moro, tenho poucos, e mesmo assim não os vejo com frequencia. Arranjar amizades e não me sentir impostora por isso, requer prática, e só comecei a sair do meu casulo agora. Para alguém que é tímida e insegura, acho até que estou me saindo bem.
Um conselho para mim mesma e para quem também se sente assim: não somos impostores, tente ignorar ao máximo essa voz chata que nos diz que não pertencemos àquele ambiente.

(a arte é da Manjit Thapp)

6 de maio de 2017

Minha memória é um jardim selvagem cheio de duendes.


As pessoas ao meu redor sabem que sou esquecida, não faço de propósito. Eu sou traída pela minha própria memória, por isso ando cheia de papéis de anotações, e tenho blocos de notas no celular e no meu computador, onde anoto uma porção de coisas. E obviamente, me esqueço das anotações.
Talvez alguém tenha implantado o cérebro de alguém idoso em mim, como um experimento científico, por isso minha memória é tão falha.
Eu sinto que a minha memoria é um jardim selvagem cheio de duendes, não sei o que há lá dentro, o que me aguarda atrás de cada arbusto. A mata é densa e maior do que eu, e perdi o meu facão no caminho.
Ela funciona com flashes de imagens e fragmentos de conversas, cenas que vão ficando cada vez mais nubladas se eu não relembrá-las sempre. Talvez seja por isso que eu preze tanto em escrever e fotografar os momentos. Se eu não fizer isso, sinto que deixarão de existir nos confins de minha mente.

Tenho um amigo de infância que voltei a me comunicar. Ele me disse que há uma lembrança sobre mim que o agrada muitíssimo. Foi quando estava chovendo bastante e eu dei a minha capa de chuva para ele. Devíamos ter menos de onze anos de idade. Eu lamento muitíssimo por não ter essa memória em mim.

Por outro lado, há lembranças e pedaços da minha vida que guardei em baús e os soldei. Sei disso porque faltam fragmentos de alguns anos, como se uma peça tivesse sido roubada. Um dos mil baús se abriu certa vez, quando eu estava conversando com o Brunno, uma das pessoas mais importantes para mim, e pude lembrar de conversas, e-mails, pensamentos e reflexões que eu havia bloqueado, e que respondem muitas das minhas questões atuais sobre quem eu sou.

Minha memória é um territorio que me é desconhecido, e eu temo que já tenha me perdido dentro dela.

26 de abril de 2017

A sua boca tem gosto de saudade.


Faz semanas que eu não vejo o seu sorriso idiota, e que não subo até a nossa praça, que dá para ver várias casinhas e onde o céu parece mais próximo de nós quando o sol começa a ir embora.
É estranho dizer que sinto falta de sentar contigo no mesmo banco de sempre, e de chutar com os pés a grade que circunda a praça, e chutar você quando implica comigo. 
Eu quero ver você, quero ouvir a sua voz e saber o que tem assistido, saber o que tem lido. Quero passar horas conversando e então te beijar, não importa quem beije primeiro. Só sei que não quero ser a primeira a parar.
A sua boca tem gosto de saudade, e eu esqueço da hora quando encosto a minha boca na sua. 
Será que seria uma boa ideia escrever essas coisas em uma cartinha, e deixá-la no banco do balanço? Decerto o vento se encarregaria de levá-la para longe, antes de você aparecer na praça. Fazer isso seria o certo, porque eu gosto de você, mas não vou contar de jeito nenhum. É melhor assim.
Apenas deixe eu te ver mais uma vez.

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20 de abril de 2017

Eu gosto de você, mas não vou contar de jeito nenhum.


Meu peito doeu quando pensei que você estivesse gostando de alguém, pois sei que eu não seria esse alguém. Foi nesse momento que percebi o que estava sentindo. Por que meu coração doeria tanto? Eu deveria ficar feliz por você se apaixonar por alguém, embora esse não seja o caso, e torcer para que essa pessoa sinta o mesmo. Somos amigos, afinal. Eu só quero te ver feliz. 
Então por que doeu? Por que andei triste pela casa e perdi a fome e o sono? E por que tive vontade de chorar após não falar comigo por dois dias? Por que eu fico olhando o seu nome no meu celular querendo que você diga qualquer coisa? Eu não quero confessar. 
Meu peito doeu quando pensei que você estivesse gostando de alguém, mas talvez esteja e não queira me contar. Eu gosto de você e vou manter segredo, até que esse sentimento vá embora. 

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13 de abril de 2017

Desculpa por arrebentar o seu chinelo.


Começarei dizendo que a culpa não foi inteiramente minha por arrebentar o seu chinelo. Você não estava usando tênis, e nós estávamos competindo para ver quem empurrava o outro mais forte. Acontece que eu ganhei e você pisou em seu próprio chinelo e o arrebentou.
Eu queria arrebentar a sua cara, em vez de destruir o que você calçava. É estranho, eu sinto vontade de beijar a sua boca e de te bater ao mesmo tempo. Quero que me abrace e quero te empurrar. Acho o seu sorriso pós-beijo tão idiota que dá vontade de te beijar de novo. 
Quero passar uma madrugada inteira conversando com você sobre filmes, morrendo de vontade de te beijar, mas mesmo assim não calando a boca, pois estou muito empolgada falando sobre mil coisas ao mesmo tempo. Depois sumir por dias e gostar de saber que sentiu a minha falta.
DESCULPA por arrebentar o seu chinelo, mesmo não fazendo de propósito. E desculpa por rir e ao mesmo tempo sentir dó em ver você mancando o caminho inteiro, com nojo de encostar o pé descalço no chão da rua. Preciso te encher de beijos para não me sentir mais culpada.

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10 de abril de 2017

Quando a gente deixar de se falar.


Assim que a madrugada chega e estou sozinha em meu quarto, olhando para o teto no escuro, começo a imaginar e a sofrer pelo dia em que a gente vai deixar de se falar. Não será de uma só vez, será aos pouquinhos. A gente conversa todos os dias agora, mandamos músicas um para o outro, eu falo do último livro que li, você fala como está o céu e me manda a foto que tirou das nuvens. A gente se fala todos os dias, e todas as vezes que recebo uma notificação no celular, automaticamente penso que é uma mensagem sua, meu coração palpita de felicidade quando estou certa, e meu coração dói quando estou errada.
Eu gosto de ouvir sua voz, e de quando segura a minha mão. Gosto de passar os dedos em seu cabelo, e de quando você implica comigo. Gosto das nossas piadas que ninguém mais entende. Será que você vai se lembrar delas daqui a alguns anos? Será que eu vou me lembrar do som das suas risadas?
Eu sei que vai chegar o dia em que a gente vai deixar de se falar, a vida tem dessas coisas, mas eu queria fingir e acreditar que vai durar para sempre.


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7 de abril de 2017

Leia em voz alta para mim.


Eu quero ler com você, ouvir sua voz falando alto cada palavra, e ver as letras saltando no ar, entrando em meus ouvidos e indo para o meu coração.
Quero ler o seu livo favorito e o meu livro favorito, ler o que tocou a sua alma, e qual história há um personagem que se parece contigo, e poder entender um pouco mais do que se passa dentro de ti.
Podemos conversar sobre livros a noite inteira, sem perceber que o sol já se aproxima. Quero afastar o sono dos meus olhos para poder te ver melhor, e querer te apertar ao admirar a empolgação com que fala sobre a última coisa que leu.
Quero dizer que você se parece com um personagem de um livro que li, eu poderia apagar o nome dele da história e rasurar o seu no lugar.
Eu quero te emprestar meus livros, e te mandar citações românticas. Quero perguntar brincando se você é real ou se é apenas a minha imaginação. Tocar seu rosto para saber a resposta.

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19 de março de 2017

Como as pétalas de um dente-de-leão sopradas ao vento.


Muitas vezes eu me sinto presa no tempo, como se não fizesse parte dessa realidade, aquela sensação de não pertencer à lugar nenhum. E não consigo aproveitar os momentos com as pessoas que gosto. Eu preciso segurar algum detalhe na cabeça, escrever sobre como foi o dia, só assim sinto que aconteceu. As pessoas percebem, e eu tenho que me esforçar para participar.

Eu sentia o concreto da mesa de praça nos meus dedos, aquela mesa pintada com quadradinhos pretos e brancos, para os velhos jogarem dama ou xadrez. Mas não tinha nenhum velho àquela noite, apenas jovens bebendo e rindo. Eu batucava os dedos e esfregava as minhas unhas no concreto da mesa, mas não sentia que era real. Meus amigos notaram e perguntaram porquê eu estava tão quieta. Eu precisava sair de dentro da minha cabeça. Como eles conseguem tão naturalmente apenas estar ali de corpo e mente? Por que eu não consigo?
Eu levantei e fui com meu amigo até dentro do bar, descobrir que música estava tocando. Era Cólera. Eu conhecia a banda, mas não conseguia distinguir do outro lado da praça. A sensação de estar ali se tornou mais palpável.
Sinto-me triste por precisar, de alguma forma, provar a mim mesma que pertenço ao presente. É estranho, mas a realidade parece uma névoa para mim. Será que algum dia sentirei o peso da gravidade, e poderei rir naturalmente com meus amigos, sem a sensação de que de repente sumirei como as pétalas de um dente-de-leão sopradas ao vento?


Ilustração: Elliana Esquivel
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