
Aos 11 anos ganhei uma agenda com capa de pitbull, eu não queria nada florido e nada fofinho. Eu colava fotos, imagens de revistas, escrevia poemas, desabafos, segredos, letras de músicas, trechos de poemas dos autores ultrarromânticos, tinha até a imagem de um rato dissecado que encontrei em uma revista de ciências. Andava pra lá e pra cá com a minha agendinha.
Um ano depois botei fogo. A agenda já estava gorda de tanta coisa colada e escrita. E taquei fogo porque não queria ver aquela parte da minha vida. Foi uma péssima escolha, queria ter guardado. Tinha desabafos sobre meu primeiro amor, minha primeira decepção amorosa, poemas da minha primeira fase da depressão.
Depois eu não tive mais agenda nenhuma. Fiz um blog (em outra hospedagem), e passei a documentar meus dias no mundo virtual. Sempre tento manter as datas, as fotos. Tenho pastas com fotografias de anos, histórias que escrevi quando ainda era adolescente, poemas velhos.
Hoje guardo minhas recordações mais do que antes. Documento tudo pelo blog e guardo tudo na nuvem. Tenho uma nova agenda que comecei no início desse ano, ela é uma espécie de diário-planner-bullet journal-junk journal-agenda, onde escrevo sobre meus dias, meus hábitos, o que fiz, com quem estive, lugares que fui, tudo. E ao mesmo tempo colo fotos e imagens que me dão inspiração. Recorto principalmente folders das exposições que fui, ingressos do cinema.
Eu sou quem sou por causa das minhas memórias, sou muito esquecida, então procuro guardar tudo. Desde pequena gosto de pegar a caixa de fotografias da família e ficar recordando e rindo.
Gosto sobretudo das lembranças do Facebook, que me relembram de coisas que aconteceram ano passado, cinco anos atrás. E principalmente das retrospectivas nos finais dos anos.
Tenho medo de algum dia perder a memória. Eu sou feita de lembranças. Saramago uma vez escreveu: "Somos a memória que temos (...) Sem memória não existimos".













































